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Funil Borboleta: por que sua receita comeca onde o funil tradicional termina

Funil Borboleta: por que sua receita comeca onde o funil tradicional termina

Em 1898, Elias St. Elmo Lewis criou o modelo AIDA — Awareness, Interest, Desire, Action. Ele mapeou a jornada do cliente do primeiro contato ate a compra. Cento e vinte e cinco anos depois, a maioria das empresas ainda opera com essa visao: o funil termina na venda.

O problema e que no modelo de receita recorrente — assinaturas, servicos mensais, contratos anuais — a venda nao e o destino. E o ponto de partida. E ignorar o que acontece depois dela e a razao pela qual tantas empresas crescem no topo mas sangram no fundo.

A virada de perspectiva do Bowtie

O Funil Borboleta, ou Bowtie Model, foi formalizado pela Winning by Design no Revenue Architecture para corrigir essa visao de mundo. A ideia central: expanda o funil para incluir todas as etapas pos-venda, e voce tera um modelo completo da sua receita.

Lado esquerdo — Aquisicao: Awareness, Education, Selection, Commit. E o funil que todos conhecem. Aqui voce promete valor.

Ponto central — Mutual Commit: A venda acontece. Mas diferente do funil AIDA, aqui ela nao encerra o processo — inaugura o segundo lado.

Lado direito — Retencao e Expansao: Onboarding, Retention, Expansion. Aqui voce entrega o impacto que prometeu. Receita recorrente e o resultado de impacto recorrente — nao de vendas repetidas.

O risco que mudou de lado

O Revenue Architecture documenta uma mudanca fundamental que aconteceu com a transicao para o modelo SaaS: o risco da compra mudou de lado. No modelo tradicional, o comprador pagava adiantado e assumia todo o risco. No modelo de assinatura, e o vendedor que assume o risco.

Se o cliente nao obtiver resultado nos primeiros 90 dias, ele cancela — e voce perdeu 100% do CAC investido para adquiri-lo, sem ter gerado lucro algum. Onboarding deixa de ser suporte e vira responsabilidade comercial. Customer Success deixa de ser custo e vira motor de receita.

A matematica que comprova o modelo

O Revenue Architecture apresenta dados reais de uma empresa SaaS chamada BestCo. Em 2013, ela tinha R$ 0,9M em ARR, quase todo de aquisicao. Em 2017, tinha R$ 14,5M — e a maior parte do crescimento vinha de retencao e expansao, nao de novas vendas.

No modelo perpetuo: Receita = Vendas. No modelo recorrente: Receita = (Aquisicao x Conversao) + (Retencao x Tempo) + (Expansao x Taxa de crescimento). O lucro no modelo recorrente cresce de forma desproporcional porque o custo de reter e uma fracao do custo de adquirir.

Tres acoes para ativar o lado direito do funil

1. Onboarding como extensao da venda: O que o cliente contratou? Quais impactos foram prometidos no fechamento? O onboarding precisa entregar esses impactos especificos nos primeiros 30 dias — nao um tutorial generico.

2. Check-in de impacto no 30, 60 e 90 dia: Tres contatos proativos com uma unica agenda: "O impacto que prometemos esta se realizando?" Clientes que recebem esses check-ins tem taxa de retencao significativamente maior.

3. Expansao proativa: Nao espere o cliente pedir mais. Voce tem mais dados sobre o uso do servico do que o proprio cliente. Identifique o momento em que ele se aproxima do teto do que contratou e inicie a conversa de expansao antes que ele perceba a necessidade.

O sinal de que seu Bowtie esta funcionando

Quando o Net Revenue Retention (NRR) ultrapassa 100%, o Bowtie esta funcionando. Significa que mesmo sem fechar um unico cliente novo, sua receita cresce. Esse e o poder real do modelo de receita recorrente aplicado corretamente.

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